Volume 2 Número 315.08.2009
Editores Sergio Capparelli | Maria da Glória Bordini | Regina Zilberman

ISSN 1982-9434

Velhas e novas poesias para crianças

Toda vez que se discute poesia infantil, aparece com frequência o percurso que ela teve no aparelho escolar, passando de uma perspectiva instrumental a uma visão estética.  Essa mudança permitiu inclusive que ficasse mais claro o estatuto da poesia infantil dentro do campo da literatura, referindo-se à poesia sem adjetivos, ou seja, tratar antes de tudo da Poesia e só depois se perguntar se ela pode ser endereçada à criança ou não.

Ninguém melhor do que José Paes para ajudar a trazer uma ordem à essa discussão. Em 1993, ele deu um depoimento na V Jornada Nacional de Literatura, realizada em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, onde falou sobre poesia, sobre tradução de poesia, sobre o seu fazer poético, sobre a poesia para crianças no tempo da sua infância e mais recentemente, na infância de seus netos. Trata-se de um depoimento ao mesmo tempo sincero e importante, do ponto de vista da prática e da teoria da poesia.

Ler o texto





Tigre Inquieto, ponto forte do  periódico, publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças Poesia para crianças

José Paulo Paes

Em 1993, a convite dos organizadores da V Jornada Nacional de Literatura, realizada em Passo Fundo, RS, o poeta e tradutor José Paulo Paes deu o depoimento transcrito a seguir, publicado em 1996 pela editora Giordano. Na “Nota liminar” que antecede a exposição, José Paulo Paes observa: “Espero que este despretencioso depoimento possa ser de alguma utilidade para quantos – sobretudo professores de primeiro e segundo grau [ensino básico, na nomenclatura atual] – estejam engajados na boa causa de criar um público receptivo para a poesia. Pois sem leitores à altura os poetas não poderão cumprir a contento sua função de dar, às palavras da tribo, aquele sentido mais puro que urge restituir-lhes nestes tempos de tamanho aviltamento da expressão oral e escrita.”
Tigre Albino agradece a Dora Paes a autorização para reprodução desse texto.

Ler o texto



Tigre Inquieto, ponto forte do  periódico, publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças Poesia e escola: caminhos entre o didático e o literário

Gláucia de Souza, Colégio de Aplicação da UFRGS

Nesse texto, Gláucia de Souza reflete acerca da concepção de poemas endereçados à infância, no que tange a uma maior ou menor vinculação com aspectos pedagogizantes, ao longo da história. Para isso, a autora começa por discutir os autores brasileiros que no final do século XIX escreveram “poemas didáticos” para crianças, tanto no Brasil como em Portugal. E essa história a um só tempo literária e das idéias pedagógicas é trazida até os dias de hoje, quando a poesia infantil passa a ser trabalhada dentro de um novo conceito, vinculando-se às demais artes.

Ler o texto



Tigre Inquieto, ponto forte do  periódico, publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças O duelo do Batman contra a MTV, de Sérgio Capparelli

José Batista de Sales, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

José Batista Sales analisa a poesia de Sérgio Capparelli em Duelo do Batman contra a MTV pelo viés do conflito de gerações, opondo pai e filho, cultura de massa e valores humanísticos. O tratamento orgânico entre tema e linguagem, entre os elementos do tempo jovem contemporâneo e as soluções poéticas encontradas o levam a considerar a obra como momento importante entre as atuais tendências da literatura infantil brasileira, afastando-a dos clichês com que o leitor jovem se defronta na mídia.

Ler o texto



Tigre Inquieto, ponto forte do  periódico, publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças Açúcar ou pimenta? O sabor da auto-identidade de gênero em um exemplo da literatura infantil brasileira.

Richard Vernon, Universidade da Carolina do Norte

Em Açúcar ou Pimenta?: o sabor da auto-identidade de gênero em um exemplo da literatura infantil brasileira, o professor Richard Vernon, da Universidade da Carolina do Norte, EUA, oferece à crítica da literatura infantil brasileira uma original abordagem da alimentação como metáfora antropológica da assimilação do outro. Ao analisar A Menina Açucarada, de Ana Maria Bohrer, ele a filia à tradição de Lobato de inconformidade social e crítica, e destaca o processo de individuação da personagem, que no aniversário de cinco anos surpreende a família e os amigos beijoqueiros, subvertendo as expectativas dos adultos.
Açúcar ou pimenta? O sabor da auto-identidade de gênero em um exemplo da literatura infantil brasileira.

Ler o texto



Tigre Inquieto, ponto forte do  periódico, publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças Mangá: o percurso histórico, social e cultural
de um fenômeno de leitura


Danielly Batistella, mestre em Literatura UPF

Surgindo em formato de charges ao final do século XIX, desenvolvendo-se como história em quadrinhos no início do século XX até chegar ao status de fenômeno de leitura no século XXI, no Oriente e no Ocidente, o mangá é considerado uma das formas de arte que mais reconhecidamente é associada ao Japão moderno. Frente a isso, a narrativa imagética japonesa concretizou-se como manifestação cultural em seu país de origem e passou a exercer e sofrer influências em e de países ocidentais. Logo, o traçado característico e de conexão imediata do mangá passou a ser considerado um fenômeno de leitura e cultura contemporâneas e, por isso, em constante transformação. Dada essa contextualização, este artigo objetiva explanar brevemente o mangá e seus aspectos históricos, sociais e culturais, além de apresentar e contextualizar a narrativa imagética japonesa quanto à sua divisão em gêneros e subgêneros.

Ler o texto



Tigre em Movimento propõe  o  relato de trabalhos práticos com poesia infantil em qualquer nível educacional Poesia na escola: brincando e aprendendo

Elizabeth D`Angelo Serra

No início da década de 90, a professora Joseane Maia Santos Silva desenvolveu o Projeto Implantando a alegria de ler, e confessa ter tido uma grata surpresa ao perceber o interesse das crianças pela poesia. Desde essa época multiplicaram-se as surpresas nesse campo, tanto assim que suas observações iniciais transformaram-se em estudo sistemático, tanto no plano teórico como no plano prática, que ela traz ao leitor do Tigre. Ela é mestra em Educação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e doutoranda em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), atuando como professora Centro de Estudos Superiores de Caxias, da Universidade Estadual do Maranhão e da rede pública estadual. Também coordena o comitê do Programa Nacional de Incentivo à Leitura-PROLER na cidade, onde organiza encontros anuais e ministra cursos de Literatura Infanto-juvenil, além de desenvolver projetos para estimular em crianças e jovens o gosto e o prazer de ler.

Ler o texto



Letras no ciberespaço: a biblioteca e seu usuário no século XXI

Mariane Rocha Silveira, mestranda em Letras UPF

Os livros e as bibliotecas sempre fizeram parte do imaginário das pessoas. Aqueles espaços infinitos, onde o saber é acumulado. Ou bibliotecas onde as obras possam ser filtradas, e classificadas, e arquivadas, em harmonia com um princípio do universo – ou da vida – cujo significado ninguém conhece. Bibliotecas sem fim, onde o leitor, como o de Borges, dorme de pé, com um livro na mão.
Esse imaginário é ainda maior quando se trata de livros ou bibliotecas digitais, porque livros incorpóreos também parecem fruto parecem saídos e arquivados na imaginação. Como se existissem como um paradoxo, do ser e do não ser, existindo. Mais ainda se for digital toda a coleção. E onde está o leitor em tudo isso? É o que Mariane Rocha Silveira se pergunta, à porta de prateleiras que ecoam o que foi perguntado, até que tudo se transforme numa única e indecifrável rede.

Ler o texto



Tigre ao Espelho, contribui  com discussões sobre o fazer poético mais amplo, em que a ilustração ou design se institui enquanto uma das vozes importantes da interlocução entre autor e leitor.  O espelho apresentará autores ou ilustradores nacionais e estrangeiros, falando sobre seu trabalho, em entrevistas ou depoimentos Sinais do Mar

Annete Baldi

A entrevista desta edição do Tigre ao Espelho foi feita pela jornalista Livia Deorsola, tendo sido publicada originalmente no site da Editora Cosac Naify. 

Por que levou tanto tempo para publicar seus poemas em Sinais do mar?
Sempre levei muito tempo para publicar meus primeiros livros - o primeiro ensaio, o primeiro infantil, a primeira peça de teatro, o primeiro romance, etc. E, para falar a verdade, de vez em quando eu escrevia um poema e guardava, mas só muito recentemente me dei conta de que tinha um livro pronto.
Antes de decidir pela publicação, como você encarava a feitura dos versos? Era apenas uma espécie de exercício?
Eu escrevo quase todos os dias, há quarenta anos.

Pode ser em prosa ou verso. Pode ser diário ou artigo para jornal. Romance ou livro infantil. Texto juvenil ou palestra. Graças a Deus, nunca me passou pela cabeça que eu precisava encarar de alguma forma específica as coisas que escrevo. Vou escrevendo como passarinho canta.

 

Ler o texto



Edward Lear para crianças

Sérgio Capparelli

Em um tempo em que a poesia significa transgressão, abandonando a roupa gasta das palavras, alguns formatos subsistem, independentemente do tempo e do lugar, e até mesmo caem novamente no gosto popular. Um exemplo? O soneto, a balada e... o limerique, esse tipo de poema bem inglês, cujo maior representante é Edward Lear, que publicou A Book of nonsense”, em 1846, sem o nome do autor na capa, como era comum na época. O livro foi republicado em 1855, também sem autoria. O nome do autor apareceu apenas a partir da edição de 1861, com 112 limeriques. Quer dizer que nonsense é limerique? Não, mas geralmente os limeriques vestem seus versos com a roupa do nonsense e assim eles aparecem inclusive nas discussões de poesia infantil nas salas de aula.

Ler o texto



Bili com limão verde na mão

Márcia Ivana de Lima e Silva, UFRGS

“- Mas eu não gosto de estar entre malucos, protestou Alice.
- Isso você não consegue evitar aqui, tornou o Gato; todos somos malucos. Eu sou, você é.
- Como é que você sabe que eu sou?
- Deve ser, disse o Gato. Senão não estaria aqui.”

Lewis Carroll

- Que belo livro!
É a primeira coisa que pensamos, quando abrimos o livro de Décio Pignatari. O formato (15X30), a profusão de cores e de formas, a interação entre ilustração e texto, tudo em Bili com limão verde na mão nos leva ao encantamento conjugado à curiosidade. Eis que nos traz muito mais do que a história de “Belisa, que todo mundo chama de Bili”; revela-nos a trajetória da menina em busca de ampliar sua perspectiva de mundo, através das personagens que encontra pelo caminho, quando resolve ultrapassar os limites “do jardinzinho”.

Ler o texto



Poesia de Marta Lagarta: um livro
que combina (e rima)

Ana Paula Klauck, PUCRS

Encontrei a Marta Lagarta na estante por acaso. Gostei do título: Rima ou combina? Que nome divertido de falar! Tanto o da autora quanto o do livro. E eu, que sempre gostei de répteis e de palavras, não tive dúvidas: abri o volume na mesma hora. E não é que quando abri o livro-casulo da Lagarta dei de cara com um poema me borboleteando?

Pão de queijo tem miolo.
Sanduíche também tem.
E pastelão?

Biscoito não tem miolo.
Broinha de milho tem.
Pão também tem.

Ler o texto



40 anos de FNLIJ e poesia infantil em Bolonha

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) comemorou 40 anos de existência, durante a 10º Feira do Livro para Crianças e jovens. A Itália foi o convidado de honra da feira deste ano. Elizabeth D´Angelo Serra enfatizou a importância da Feira do Livro de Bolonha para a FNLIJ e os laços estabelecidos com aquele país. Neste ano, dois ilustradores italianos vieram ao Brasil: Roberto Innocenti, ganhador do Hans Christian Andersen de 2008, e Francesco Tullio Altan.

Ainda dentro das comemorações dos 40 anos da FNLIJ, foi homenageado o escritor Bartolomeu Campos Queirós, que ficou entre os cinco primeiros colocados do Prêmio Hans Christian Andersen do ano passado e recebeu neste ano o IV Prêmio Ibero-americano SM.

Elizabeth Serra apresentou a seleção de livros para crianças e jovens publicados no ano passado. Os de poesia, com texto em inglês preparado especialmente para a exposição na Itália, são os seguintes:

Ler o texto



Último Número

Quem Somos

Arquivos

Contribuições

Cartas



Cadastro

Nossas publicações acontecerão no dia 15 de novembro, 15 de março e 15 julho de cada ano. Se você quiser receber um lembrete a cada nova edição, preencha, sem qualquer custo, o formulário abaixo.








Tigre inquieto

Publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças. Editores: Sérgio Capparelli, Regina Zilberman e Maria da Glória Bordini.

Tigre ao espelho

Contribui com discussões sobre o fazer poético mais amplo, em que a ilustração ou design se institui enquanto uma das vozes importantes da interlocução entre autor e leitor. O espelho apresentará autores ou ilustradores nacionais e estrangeiros, falando sobre seu trabalho, em entrevistas ou depoimentos. Editora: Annete Baldi

Tigre em movimento

Propõe o relato de trabalhos práticos com poesia infantil em qualquer nível educacional. Editora: Elizabeth D'Angelo Serra


Tigre digital

Ocupa-se de poéticas digitais para crianças, com descrição ou críticas de sites de poesia infantil no Brasil e no exterior. Editor: Miguel Rettenmaier.


Tigre à mesa

Apresenta ou publica críticas à produção editorial do período, dentro da área, tanto em relação a textos de reflexão como a livros, produtos ou espaços de poesia para crianças. Editor: Sérgio Capparelli.


Conselho Editorial
O Tigre Albino tem um Conselho Editorial integrado pelas seguintes pessoas:

Blanca Roig da USC e da LIJMI, Espanha;

Ezequiel Theodoro da Silva, da UNICAMP e da ALB, Brasil;

Isabel Mociño Gonzáles, da USC e da LIJMI, Espanha;

Laura Sandroni, da FNLIJ, Brasil;

Maria Antonieta Cunha, da PUC-MG, Brasil;

Marisa Lajolo, da UNICAMP e Mackenzie, Brasil;

Silvia Castrillon, da Asolectura, Colômbia;

Virgilio López Lemus, do ILL, FAyLUH e AChttp://fayl.uh.cu e ACC, de Cuba.












Mundo
da Leitura